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o cinema brasileiro

  • Jessica Marzo
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Eu fui pra ver o Wagner Moura, porque eu sou muito, muito fã, mas aí eu vi Sebastiana e até me esqueci um pouquinho de Wagner.


Que filme! Quase três horas na sala de cinema e eu quero mais. Quero saber mais do casal angolano, e também de Claudia, Arlindo e Clóvis. Quero um cafuné do seu Alexandre. Quero ir para Recife pular carnaval. Quero desenhar com o filho de Marcelo. Quero dirigir um fusca. Quero comer coxinha da colega de repartição. Quero ler notícias no jornal de um realismo fantástico que faz rir e temer.


Quero enganar policiais escrotos. Quero martelar a cabeça de empresário sudestino. E quero ver a patroa – aquela que deixou o filho da empregada morrer – ser exposta e ridicularizada num filme que vai ganhar o Oscar.


Como é profundo ser brasileira e poder decifrar cada uma dessas referências de “Agente Secreto” das lendas urbanas, as piadas aos objetos do cotidiano, tudo é tão nosso, tão denso e tão rico.


O filme é uma delícia de se ver, sim, mas carrega uma tensão subterrânea, o cheiro de gente morta que insiste em não se dissipar.


O Brasil é assim, produz contrastes difíceis de explicar. Apesar de toda a desumanização que acontece neste país há 500 anos a gente produz narrativas tão humanas, sensíveis, poéticas, bonitas, pessoas, personagens que nos enchem de orgulho de ser quem somos.


“Nenhum país se desenvolve sem se ver” (Wagner Moura)


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