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E se eu não quiser contratar um instrutor para ensinar meu filho a empinar uma pipa?

  • Jessica Marzo
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Quando nasce um filho, nasce uma mãe, um pai e um universo de cursos e consultorias que podem ajudar a cuidar do novo ser. Antes mesmo do primeiro suspiro, do primeiro olhar, os pais já são bombardeados de cursos e oficinas:  preparação do parto, amamentar, dar banho, fazer arrotar, salvar de engasgo. Um portal de ofertas se abre e nunca mais fecha.


Contrate uma especialista para fazer a criança dormir 8 horas seguida. Matricule-se nas aulas de massagem para bebês. Faça uma consultoria em BLW. Aprenda as amarrações perfeitas e adequadas do sling. Pague um profissional para ensinar seu filho a nadar, andar de skate, bicicleta, patins, jogar futebol. Empinar pipa, já tem? Recentemente vi oficinas online para meninas de 9 a 12 anos sobre menstruação.

 

O problema não são os profissionais, eles estudam, se dedicam, oferecem o que sabem. O que nos assombra é a inundação, a sensação de que somos sempre insuficientes. No mercado da criação de um filho, tudo se torna sagrado, urgente, irrevogável: um passo em falso e a cicatriz será eterna. Passamos a acreditar que tudo é tão, tão importante na vida dos nossos filhos, que se não for feito “direito” (por um profissional) traumatiza num nível que não tem mais volta.


Lembro do meu pai me ensinar a andar de bicicleta. Demorou, não foi na primeira, segunda ou terceira tentativa. Ele ficou de saco cheio em alguns momentos. Talvez eu tenha me frustrado. Pode ser que tenhamos brigado no processo, mas eu aprendi e me equilibrar em duas rodas.


Hoje, eu sei que existe a possibilidade de a criança aprender a andar de bicicleta com um instrutor. Encontrei uma empresa que utiliza o método MP²A   para ensinar a pedalar pela primeira vez.


“Nosso método foi criado baseando-se na evolução correta das técnicas necessárias para se andar de bicicleta com segurança, com isso, conseguimos eliminar o medo do aluno já nas primeiras aulas, garantindo confiança e segurança desde o início do curso. Com foco em técnica e diversão, garantimos um aprendizado rápido e eficaz.”


Tem estudos e metodologias para tudo, o que não é ruim necessariamente, mas será que precisamos disso, o tempo todo?


No mercado da criação dos filhos cabe tudo. Porque eles são a coisa mais importante do mundo e não medimos esforços, principalmente financeiros. Na busca excessiva por evitar o erro, terceirizamos até o que poderia ser simples e natural. Desacreditamos nos nossos instintos e no poder da nossa sabedoria, que pode não ser a melhor, mas é nossa. Carrega uma história, que de certa forma, também é dos nossos filhos.


O que nós, pais e filhos, perdemos quando deixamos de compartilhar o ensino e aprendizagem juntos? Temos medo de errar ao ensinar? Temos medo de não oferecer o que existe de melhor no mundo? Será que não é, nestes momentos de fragilidades de ambos que se cria a intimidade e confiança?


Sou mãe há quase dez anos, e hoje entendo que a culpa do meu sofrimento e confusão no início, foi porque, eu busquei incessantemente entregar o que tem de melhor no mundo, e não em mim. Eu sigo buscando informação, mas acredito que tem algo entre aprender e ensinar e na relação de mãe e filho que não tem método, é algo único e exclusivo para cada um, pois diz respeito a uma história e intimidade que não é possível de ser sistematizada e replicada.



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Se quiser falar comigo sobre qualquer coisa me manda um e-mail :)
jemarzo@hotmail.com

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